Pela sua toponímia não restam dúvidas
que esta Freguesia ascende à época pré-romana, de acordo com a arqueologia da
região e principalmente porque, havendo elevações neste território, numa delas,
pelo menos existiu um castro, pois que menos não quer dizer o topónimo Crastos,
nesta Freguesia. O plural talvez não queira significar, não mais do que um
castro, mas mais que um circuito de muro no mesmo castro. Há também a povoação
de Ribeira de Crastos, que se refere talvez ao mesmo ou à de Crastos. Também
com sentido arqueológico seja Cortém, talvez alteração de Cortim que é um
diminutivo de Corte. Para ponderar é Mosteiros que pode bem referir-se a
qualquer ignorada instituição monástica, com ermida eventualmente desaparecida,
como o presumido mosteiro, cuja
existência perante absoluta falta de outra noticia, resta dele a topónimica. O
lugar de Vidais, que é plural de Vidal e que deriva de “Vide” podendo
relacionar-se com vida ou com videira, será certamente a excepção à zona
inculta e bravia em que no passado nos encontrávamos, pois a própria
denominação dos lugares assim o define: Os matos da Matoeira, os carrascais da
Carrasqueira.
Aparece entretanto o repovoamento do
território com a nascer da nacionalidade e o estabelecimento da divisão do
território, nomeadamente os Casais da Carrasqueira, Casais da Igreja, Casal da
Boavista, Casal do Brejo, Casal dos Grilos e Casal do Rei.
Data do Século XVI ou XVII a
edificação da igreja sob a invocação de N. Sª. da Piedade, conservando-se a
velha devoção local a Santa Maria, talvez por ligação anterior à igreja,
através de Santa Maria de Óbidos. Esta particularidade leva à suspeita de que a
paróquia deve ter sido instituída pela igreja da vila de Óbidos, o que
possibilita que Vidais tenha sido um domínio do Castelo de Óbidos desde o
Século XII.
O Arco da Memória no Casal do
Rei, é o facto histórico ou lendário que até aos tempos de hoje mais tem
marcado ou interessado a Freguesia.
Várias publicações têm feito
referência a este monumento outrora degradado, narrando com maior ou menor
exactidão os factos ou lendas e contos criados pelo povo humilde e bom, na
intenção, tão somente, de enaltecer as grandes figuras da nossa História.
Reza a lenda que D. Afonso
Henriques quando vindo de Leiria para conquistar Santarém aos Mouros, acampa
num sítio conhecido hoje por Casais da Memória na nossa Freguesia. O primeiro
rei sobe a uma pequena colina próxima, de onde avista à noite as luzes das
muralhas escalabitanas, prometendo, se fosse bem sucedido na sua empresa, daria
aos monges de Cister todas as terras que se avistavam até ao mar. D. Afonso
após conquistar Santarém, cumpre a sua promessa, nascendo assim os Coutos de
Alcobaça, tendo sido erguido naquele local um monumento denominado Arco da
Memória.
A realidade no entanto parece ser
outra. O filho do Conde D. Henrique, por necessidade de povoamento doou aos
frades de Alcobaça as férteis terras para cultura, de que eram mestres, para
intensificação da agricultura. Os Monges de Cister, para delimitar as suas
terras, em homenagem ao Rei doador, mandaram edificar diversos monumentos
identificativos.
Inicialmente o monumento deve ter
sido constituído apenas pela estátua, construindo-se mais tarde o grande arco
que teria sido encimado por aquela.
Em Janeiro de 1912 terá este
monumento ruído ou, quem sabe, destruído. A estátua entretanto abandonada e vandalizada
em parte, foi levada para Caldas da Rainha, e depois para Leiria.
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